‘Les Misérables’ ganha prêmio Bibi Ferreira de melhor musical

Por Júlia Zaremba

O espetáculo “Les Misérables” foi eleito o melhor musical do ano pelo prêmio Bibi Ferreira 2017, um dos principais do teatro musical brasileiro, realizado nesta quarta (18) no teatro Santander, em São Paulo. Em 2016, “Wicked”, outra produção da T4F, ganhou na categoria.

A montagem levou outras cinco estatuetas: melhor ator coadjuvante (Ivan Parente), atriz coadjuvante (Andrezza Massei), ator revelação (Filipe Bragança) e versão (Claudio Botelho).

Elenco de “Les Misérables” recebe a estatueta de melhor musical

Na categoria de melhor musical brasileiro, o ganhador foi “Auê”, da companhia A Barca dos Corações Partidos.

A montagem levou ainda os prêmios de melhor letra e música original, e arranjo original  –as 21 canções do espetáculo, sobre as dores e delícias do amor, foram compostas pelos artistas do grupo.

Cena do espetáculo ‘Auê’, dirigido por Duda Maia

“Cartola, o Mundo é um Moinho” foi eleito melhor musical na categoria voto popular. Concorria com outras 24 produções.

O musical mais premiado da noite, contudo, foi “My Fair Lady”. Indicado em doze categorias, venceu em seis, incluindo nas de melhor ator (Paulo Szot), diretor (Jorge Takla) e diretor musical (Luís Gustavo Petri).

A cerimônia, que chegou à sua quinta edição, incluiu musicais realizados entre 1 de julho de 2016 e 30 de junho de 2017 na cidade de São Paulo. Os vencedores foram escolhidos por um time de sete jurados da área do teatro.

Cerimônia tem críticas a censura

A cerimônia de premiação, apresentada por Miguel Falabella e Alessandra Maestrini, foi permeada por números musicais e manifestações de artistas contra a censura, em meio às polêmicas envolvendo exposições no país.

“A liberdade de expressão é fundamental”, disse Alonso Barros, vencedor do prêmio de melhor coreógrafo por “Alegria, Alegria”. “Está na hora de dizer basta, o artista não pode ser criminalizado como está sendo atualmente.”

“Abaixo a intolerância, abaixo a censura”, defenderam os atores de “Auê” ao receber a estatueta de melhor letra e música original.

“Em uma época obscura, fazer as pessoas rirem é um privilégio”, afirmou Andrezza Massei, eleita melhor atriz coadjuvante por “Les Misérables”.

O show começou por volta das 21h30 para uma plateia de cerca de 1.500 pessoas, entre artistas, diretores e estudantes.

O número de abertura, que contou com a participação de Falabella, Maestrini e dos atores Jarbas Homem de Mello e Kiara Sasso, falou sobre os desafios de se fazer um musical.

Para ironizar a falta de verba para o prêmio nesse ano– a produção teve que realizar uma campanha de financiamento coletivo nas redes para colocá-lo de pé, arrecadando R$ 14 mil– integrantes do coro surgiram de toalha no palco.

“Agora seria o momento do coro, mas, como estamos no terceiro mundo, não tem verba para o coro, então não vamos ter, porque eles precisam ser amplificados e vestidos”, disse Falabella pouco antes de os atores surgirem de toalha.

“Foi difícil de captar recursos nesse ano. Tentamos brincar nos números musicais com a questão da falta de dinheiro”, conta José Vinícius Toro, um dos produtores da cerimônia. “Mas, no fim, conseguimos driblar o problema.”

Houve apresentações ainda de números de “Les Misérables”, “My Fair Lady”, “Auê”, “Forever Young” e “Gota D’Água [a seco]”. Artistas mortos no último ano foram homenageados ao som da canção “Deus do Céu”, de “Les Misérables”, interpretada por Jarbas Homem de Mello.

O número de encerramento, “Sou o que Sou”, do musical “A Gaiola das Loucas”, contou com a participação de drag queens como Salete Campari e Silvetty Montilla, uma homenagem a Rogéria, morta em setembro deste ano.

“O prêmio é uma oportunidade de os artistas de teatro musical serem reconhecidos. Ainda é um mercado muito novo no Brasil. Espero um dia chegar ao nível do Tony Award”, diz Toro.

Veja, a seguir, a lista completa de indicados e vencedores.

Melhor Musical

  • Auê (Sarau Agência e Companhia Barca dos Corações Partidos)
  • Forever Young (Coisas Nossas Produções, Benjamin Produções e Chaim Produções)
  • Gota D’Água [A Seco] (Sarau Agência)
  • Les Misérables (T4F)
  • My Fair Lady (Takla Produções, Egg Entretenimento e IMM)

Melhor musical brasileiro

  • 60! Década de Arromba – Doc. Musical (Brain + e Reder Entretenimento)
  • Auê (Sarau Agência e Companhia Barca dos Corações Partidos)
  • Gota D’Água [A Seco] (Sarau Agência)
  • Lembro Todo Dia de Você (Núcleo Experimental)
  • O Grande Sucesso (Super Amigos Produções)

Melhor atriz

  • Giulia Nadruz (Ghost)
  • Laila Garin (Gota D’Água [A Seco])
  • Paula Flaibann (Na Laje)
  • Paula Capovilla (Forever Young)
  • Simone Gutierrez (Tudo é Jazz)

Melhor ator

  • Daniel Diges (Les Misérables)
  • Flávio Bauraqui (Cartola – O Mundo é um Moinho)
  • Marcelo Médici (Rocky Horror Show)
  • Paulo Szot (My Fair Lady)
  • Thiago Machado (Rent)

Melhor atriz coadjuvante

  • Adriana Lessa (Cartola – O Mundo é um Moinho)
  • Andrezza Massei (Les Misérables)
  • Anna Toledo (Lembro Todo Dia de Você)
  • Laura Lobo (Les Misérables)
  • Nábia Villela (Roque Santeiro)

Melhor ator coadjuvante

  • Ivan Parente (Les Misérables)
  • Marcel Octavio (Rocky Horror Show)
  • Nando Pradho (Les Misérables)
  • Nicola Lama (Rocky Horror Show)
  • Sandro Christopher (My Fair Lady)

Ator/atriz revelação

  • Daniele Nastri (My Fair Lady)
  • Davi Tápias (Lembro Todo Dia de Você)
  • Diego Martins (A Era do Rock)
  • Filipe Bragança (Les Misérables)

Melhor diretor

  • Duda Maia (Auê)
  • Jarbas Homem de Mello (Forever Young)
  • Jorge Takla (My Fair Lady)
  • Rafael Gomes (Gota D’Água [A Seco])
  • Zé Henrique de Paula (Lembro Todo Dia de Você)

Melhor diretor musical

  • Alfredo del Penho e Beto Lemos (Auê)
  • Luís Gustavo Petri (My Fair Lady)
  • Miguel Briamonte (Forever Young)
  • Tony Lucchesi (60! Década de Arromba – Doc. Musical)
  • Vania Pajares (Tudo é Jazz)

Melhor coreografia

  • Duda Maia (Auê)
  • Tania Nardini (My Fair Lady)
  • Alonso Barros (Alegria, Alegria)

Melhor cenário

  • André Cortez (Gota D’Água [A Seco])
  • Nicolás Boni (My Fair Lady)
  • Renato Theobaldo (Ghost)

Melhor figurino

  • Fábio Namatame (My Fair Lady)
  • Karen Brustolin (O Grande Sucesso)
  • Kika Lopes (Gota D’Água [A Seco])

Melhor arranjo original

  • Tony Lucchesi (60! Década de Arromba – Doc. Musical)
  • Alfredo Del Penho e Beto Lemos, com colaboração da Barca dos Corações Partidos e Duda Maia (Auê)
  • Thiago Gimenes (Alegria, Alegria)

Melhor letra e música original

  • Alfredo Del Penho e Beto Lemos, com colaboração de Duda Maia e a Barca dos Corações Partidos (Auê)
  • Rafa Miranda e Fernanda Maia (Lembro Todo Dia de Você)
  • Elenco e equipe de O Grande Sucesso

Melhor roteiro original

  • Fernanda Maia (Lembro Todo Dia de Você)
  • Duda Maia e a Barca dos Corações Partidos (Auê)
  • Diego Fortes (O Grande Sucesso)

Melhor versão

  • Claudio Botelho (Les Misérables)
  • Claudio Botelho (My Fair Lady)

Melhor desenho de luz

  • Caetano Vilela (Lili Marlene)
  • Renato Machado (Auê)
  • Wagner Antônio (Gota D’Água [A Seco])

Melhor desenho de som

  • Gabriel D’Angelo (Auê)
  • Tocko Michelazzo (Alegria, Alegria)
  • Tocko Michelazzo (My Fair Lady)

Melhor visagismo

  • Duda Molinos e Feliciano San Roman (My Fair Lady)
  • Hugo Daniel e Paulette Pink (Forever Young)
  • Wilson Eliodoro (O Grande Sucesso)

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