Musical com Zélia Duncan celebra 50 anos do Tropicalismo

Por Júlia Zaremba

Há algum tempo, o diretor e roteirista Moacyr Góes vinha planejando realizar um musical baseado na vida de Caetano Veloso. Fez pesquisas, leituras, mas ouviu de pessoas próximas que o músico não se sentia à vontade com homenagens. Decidiu, então, mudar o plano inicial, sem abrir mão dele por completo.

“Lembrei-me de que, nesse ano, o Tropicalismo completa 50 anos. Foi o gancho para criar um espetáculo baseado nas canções do Caetano”, conta ele, que dirigiu filmes como “O Homem Que Desafiou o Diabo” (2007) e “Bonitinha, mas Ordinária” (2013).

Assim surgiu “Alegria, Alegria”, que estreou no último sábado (13) no teatro Santander (zona oeste de São Paulo) e marca a estreia de Góes no gênero teatral.

A proposta do musical é relembrar os dois anos do movimento cultural com muita música e pouco texto –na trilha, há 28 canções. “Não será uma aula de história, acho chato peças muito didáticas”, explica.

Elenco do musical durante ensaio

A participação de Zélia Duncan é um dos pontos altos da montagem. O diretor conta que conheceu a cantora na década de 1990, durante um curso de teatro que lecionou no Rio de Janeiro. Depois, trabalharam juntos em um show de Duncan. “Ela tem uma carreira singular e coragem para encarar novos desafios, sempre estive de olho nela”, diz ele.

Mas nada de participação especial. “Ela disse que fazia questão de ensaiar tanto quanto o restante do elenco, não queria entrar como a cereja do bolo”. Duncan divide o palco com outros 14 atores. Entre eles, Ingrid Gaigher (“Rent”), Patrick Amstalden (“Mamonas”) e Bruno Fraga (“Wicked”).

Já a equipe técnica do espetáculo é composta por nomes como Hélio Eichbauer (cenografia), Alonso Barros (coreografias), Ary Sperling (direção musical) e Fabio Namatame (figurinos).

Em tempos de radicalização política, Góes acredita que o musical passa uma mensagem importante. “A grande importância do tropicalismo é a liberdade e o amor pela diversidade da cultura. Por isso o movimento ‘apanhou’ tanto da direita, quanto da esquerda”, afirma. “Em meio a um ambiente pesado e sisudo, levamos leveza e esperança ao público.”

Teatro Santander. Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 2.041, Itaim Bibi, tel: 4003-1022. Qui. e sex.: 21h. Sáb.: 18h e 21h. Dom.: 20h. R$ 50 a R$ 250.


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